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Cinema

SINÓPSE

Quilombo e Candeia: histórias entrelaçadas

 

É impossível dissociar a história da Escola com a de Antônio Candeia Filho, seu idealizador. Segundo Nei Lopes (no livro Sambeabá, da editora Casa da Palavra), a firme postura política do compositor portelense que morreu aos 43 anos, em 1978, começou a aflorar justamente em 1975, quando se reestruturou a militância pelos direitos dos negros.

 

Candeia estava descontente na Portela. Em documento para o presidente da Escola Carlos Teixeira Martins feito por ele, por André Motta Lima, Carlos Sabóia Monte, Cláudio Pinheiro e Paulo César Batista de Faria – em 11 de março de 1975 dizia:

“Escola de samba é povo em sua manifestação mais autêntica. Quando se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo. Essas influências externas sobre as escolas de samba provêm de pessoas que não estão integradas no dia-a-dia das escolas. Não é mais possível continuarem os integrantes da escola sem acompanhar de perto tudo que se passa na Portela”. E apontava uma série de sugestões, como a necessidade da Portela assumir posição de defesa do samba autêntico, que não foram sequer discutidas.

 

Candeia partiu então para a criação de uma escola que representasse um alerta contra as ameaças. No fim de 1975, Edgar Pires (Pintado, cunhado de Candeia) foi pedir apoio para a compra de instrumentos para seu bloco em Rocha Miranda – Quilombo dos Palmares. “Porque não uma escola de samba?”, questionou Candeia.

 

No dia 8 de dezembro nascia a Quilombo. Entre seus principais objetivos estavam o desenvolvimento de um centro de pesquisa de arte negra, atrair os verdadeiros representantes e estudiosos da cultura brasileira, organizar uma escola onde seus compositores ainda não estivessem corrompidos: uma escola que servisse de teto a todos sambistas, negros e brancos, na defesa do autêntico ritmo brasileiro.

 

Em 1976, a comunidade via em todos os fins de semana na quadra da escola grupos de capoeira, maculelê, afoxé e aplaudia artistas como Clara Nunes, João Nogueira, Guilherme de Brito, Paulinho da Viola. Com a boa vontade dos componentes, apresentava-se pelas ruas dos bairros vizinhos. Em 1977, fechou o carnaval da Presidente Vargas: Segundo o professor da UFRJ João Batista, autor de Quilombo, uma Utopia?, por pouco a escola não rouba a cena da Beija-Flor: “desfilando livre e descontraída pela avenida, sem esquemas (...) a Escola de Samba Quilombo mostrou o verdadeiro papel de uma escola de samba e apresentou seu Carnaval de 77 visando apenas realizar a mais genuína festa brasileira”, registrou o jornal A Notícia.

 

Nesta época, marcaram profundamente dois acontecimentos, como conta João Batista: a festa dos estivadores e a dos trabalhadores da construção civil. Em cada ocasião reuniram-se por volta de 3 mil pessoas: “Há muito não se via tanta gente reunida e gente pobre, gente humilde. A partir de então a Quilombo passou a ser observada com mais rigor pelos órgãos de repressão”.​

Ficha-técnica

 

Título Original:

EU SOU POVO

Realizador: Bruno Bacellar, Luís Fernando Couto

Produção: LBR

Direção: Bruno Bacellar, Luís Fernando Couto e Regina Rocha

 

Fotografia: Luís Fernando Couto

Desenho de Produção: Luís Fernando Couto

Direção de Arte: Luís Fernando Couto

Edição: Luís Fernando Couto

Idioma: Português-Brasil

Duração: 80 min.

Género: Documentário

Classificação: Maiores de 12 anos.

 

Músicas:

Preciso me Encontrar/Candeia

O Sonho Não Acabou/Luiz Carlos da Vila

Nova Escola/Candeia

Apoteose das Mãos (1977)/Mariozinho de Acari, Zeca Melodia e Gael

Ao Povo em Forma de Arte (1978)/Wilson Moreira / Nei Lopes

Noventa Anos de Abolição/Wilson Moreira e Nei Lopes/

Dia de Graça/Candeia

O Dia de Graça (1980)/Sobral e Feliciano "Candeinha"

Solano Trindade, Poeta do Povo (1981)/Maia, Neguinho Jóia e Dominguinho

Resgate/Feliciano "Candeinha"

Apoio Logístico: Ricardo Telles

Produção e Distribuição: RBL

Argumento: Bruno Bacellar, baseado no livro

Biografia de Candeia (Luz da Inspiração) de João Baptista M. Vargem

 

Entrevistados:

Rubem Confete

Carlos Monte

Dona Neném

Waldir 59

Teresa Cristina

Sérgio Cabral

Mano Bretas

João Baptista M. Vargens

Luiz Carlos da Vila

Edgar Elpídio "Pintado"

Tantinho da Mangueira

Edialeda Salgado

Mestre Nacional Feliciano Pereira da Silva "Candeinha"

Wilson Moreira

Jorge Coutinho

Pedro Carmo dos Santos "Português"

Sebastião Ferreira da Silva "Tião do Mocotó"

Mônica Barbosa

Wilson Corrêa

Paulo José da Silva Filho "Paulinho"

Fidélis Marques

Vitor Rebello

Céli Leal

Selma Candeia

Jairo Candeia

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